terça-feira, 15 de janeiro de 2019

O primeiro time de Felipão




O Grêmio São Cristóvão foi fundado em 29 de outubro de 1959, no bairro Igara de Canoas. Em sua sede social a entidade promovia bailes para seus associados e a comunidade local.

O nome do time foi posto em homenagem ao padroeiro da igreja São Cristóvão, situada no mesmo bairro Igara. O São Cristóvão permanece ainda hoje, porém, não tem mais a mesma expressão de anos anteriores.

No clube São Cristóvão, como era conhecido, o adolescente Luiz Felipe participava de comportadas reuniões dançantes. Não havia ainda um campo de futebol e a turma do São Cristóvão jogava bola em praças e campos baldios, até que Demétrio Machidonski, um taxista que trabalhava na capital gaúcha, ficou com pena dos guris e providenciou um uniforme na loja Cauduro.

Era um jogo de camisetas azuis com duas listras verticais amarelas. Demétrio mandou colocar o distintivo do Grêmio São Cristóvão e o time passou a disputar campeonatos de várzea contra equipes de Canoas e adjacências.

Luiz Felipe Solari fez parte do quadro de jogadores do São Cristóvão. Foi seu primeiro time. Jogava como zagueiro.

Natural de Passo Fundo, onde nasceu em 9 de novembro de 1948. Filho de Benjamim e de Cecy (Leda) Scolari.  Seus pais  mudaram-se para a cidade de Canoas, onde construíram residência no Bairro Igara.

Em Canoas já viviam tio Alcides e tio Alberto, que eram sócios de uma transportadora de Passo Fundo e possuía uma frota de caminhões-tanque. Em 1954, Alcides trocou Passo Fundo por Canoas, para expandir seus negócios.

Um ano depois, Alberto o acompanhou.  Compraram um terreno à beira da BR 116, movimentada rodovia que corta a cidade de Canoas, e começaram a construir um posto de gasolina, inaugurado em 1959.

Em 1964, eles chamaram Benjamim, que veio com  Leda, e os filhos Luiz Felipe e Cleonice para Canoas. Cleuza, a irmã mais velha de Felipão, preferiu ficar. Tinha constituído família em Passo Fundo. Casada com Euclides Schneider, ela tem quatro filhos:  Darlan (preparador físico que trabalhou no Grêmio e no Cruzeiro, além de integrar a comissão técnica da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2002), Tarcísio, Elson e Delano.

Em Canoas, Benjamin virou sócio dos irmãos na transportadora  de combustível, enquanto Leda costurava e fazia roupas para fora. Luiz Felipe tinha que ajudar no sustento da casa e passou a trabalhar  no posto de gasolina dos tios, enquanto estudava no curso técnico de contabilidade.

Assim era a rotina do jovem, até que conheceu Olga Pasinato,com 16 anos de idade,  filha do dono do hotel localizado em frente ao posto de gasolina dos tios. O casamento aconteceu nove anos depois, em 1973. Dos 17 aos 19 anos Luiz Felipe jogou no time de várzea de Canoas, enquanto acalentava o sonho de tornar-se jogador de futebol profissional.

Como profissional, Luiz Felipe jogou no Aimoré, de São Leopoldo e no Futebol Clube Montenegro, da cidade de mesmo nome, depois foi para o Caxias e o Juventude, jogando sempre como zagueiro, posição na qual recebeu o título de melhor zagueiro do Campeonato Gaúcho de 1978, quando então jogava  pelo Caxias. (Fonte e fotos: Blog "O Povo do Sul - http://darisimi.blogspot.com)

Sede social do Grêmio São Cristóvão situada na rua Mamoré, Bairro Igara, Canoas (RS).


Foto do ano de 1967. Em pé: Roberto Taylor – Telmo - José Rubens - Luiz Felipe Scolari - Luizão e Hilton. Agachados:  Sérgio Potrich – Volmar - Nereu Rampon - Demétrio Machidonki Filho e Luiz Fontella. (Fotografia de Toninho Silva)


Em pé: Nivaldo - Luiz Santos - Luiz Felipe Scolari - Carlinhos - Hilton - Roberto - Fabrício e  Darci T. de Moraes (diretor de futebol). Agachados: Demétrio Machidonski Filho - Clóvis Rampon - Volmar - Telmo e Julio.

Foto do ano de 1965, publicada no jornal "Diário de Canoas", edição dominical de 10 de março de 2002. Em pé: Antônio Bittencourt (Técnico) - Luizão - Fabrício - Luiz -  Luiz Felipe Scolari - Ilton - Adelmo e a madrinha do time Mariza Amaral da Silva. Agachados: Rui Fontella - Telmo - Clóvis  Rampom - Peixinho - Volmar e Luiz Fontella. 

Foto de 1967, tirada no campo do São Cristóvão, hoje transformado no Centro Olímpico Municipal de Canoas. Luiz Felipe Scolari, Hilton e agachado Volmar.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

O futebol em São Joaquim da Barra (SP)



Histórico

O município já se chamou “Juçara”, “São Joaquim de Oiçaí”, “São Joaquim de Nuporanga”, “Capão do Meio” e “São Joaquim”, acrescentando-se o termo "da Barra" ao nome por causa do “Córrego da Barra”, divisor dos municípios de “Ipuã” e “São Joaquim da Barra” e pouso habitual de viajantes e tropeiros no percurso entre “Ipuã” e “Nuporanga”.

O município surgiu no início do século XIX, devido ao êxodo dos moradores do Sul da província de Minas Gerais, atraídos pela riqueza da terra, pelo clima agradável e boas aguadas. Nascia o povoado de “São Joaquim” quase 100 anos depois disto, em 1898.

Os primeiro moradores e fundadores foram Manuel Gouveia de Lima e seu irmão João Miguel de Lima, João Batista da Silveira e Francisco de Lima.

Espalhados e isolados pelas beiras de córregos e riachos, sentiram a necessidade de maior convívio social e organizaram uma comissão para obter fundos e adquirir algumas terras que constituíssem patrimônio de uma povoação.

José Esteves de Lima arrematou em leilão público, na comarca de “Nuporanga”, em 21 de janeiro de 1895, uma área situada na fazenda “São Joaquim”.

Juntamente com eles veio Manuel Damásio Ribeiro, primeiro a estabelecer uma casa de comercio na região, denominada por ele como "Casa Damásio", na estrada que ligava “Batatais” e “Nuporanga” a “Sant'Ana dos Olhos d'Água” (hoje “Ipuã”). Francisco Garcia Borges, um dos fundadores, foi um grande cafeicultor, criador de gado e capitalista.

Em 30 de maio de 1898, José Esteves de Lima e sua esposa Maria Teodora da Conceição assinaram a escritura de doação de patrimônio para a construção da primeira capela do povoado, que teve como padroeiro “São Joaquim”.

As obras foram iniciadas em 1901, e o distrito de “São Joaquim” foi criado pela Lei Estadual nº 859, de 6 de dezembro de 1902. O pequeno povoado passou então a receber inúmeras pessoas chegadas de territórios vizinhos ou distantes, entre elas italianos, espanhóis e portugueses.

Também no ano de 1902 foi inaugurada a “Estação São Joaquim” pela “Companhia Mogiana de Estradas de Ferro”, que junto da primeira casa de comércio impulsionaram o crescimento do município.

Em 19 de dezembro de 1906 foi elevada a categoria de vila pela Lei nº 1038. Criado o município pela lei estadual nº 1588 de 16 de dezembro de 1917, com território desmembrado de “Orlândia”, elevando sua sede à categoria de cidade.

Em 30 de novembro de 1944, pelo Decreto Lei Estadual nº 14374, o nome foi mudado para “São Joaquim da Barra”. Em 1979 a estação ferroviária foi desativada e substituída por outra afastada da cidade. Os trilhos que passavam ao centro da cidade foram retirados e deram espaço ao que hoje é a Avenida Orestes Quércia.

O FUTEBOL EM SÃO JOAQUIM DA BARRA

Em São Joaquim (SP), a primeira notícia de futebol aparece no final do ano de 1915.  O jovem Avelino Cozza, pelas suas extraordinárias qualidades futebolísticas, foi desde esse início, a alma do futebol na vila.

O futebol em todas as cidades do interior, sempre sofreu de altos e baixos, momentos de glória e instantes de marasmo. Assim em 1920, reorganizando tudo que acontecera no futebol da cidade, até então, exatamente a 20 de abril de 1920, uniram-se as forças esportivas para fundar o São Joaquim Futebol Club.   

A primeira diretoria do clube ficou assim formada: Presidente: Manoel Mafud;  Vice-Presidente: Antônio Mendes de Oliveira; 1º Secretário: Ayres Barbosa da Silva; 2º Secretário: Othello Mélega e Tesoureiro: Clemente de Lollo.

Nas décadas de 20 e 30, os grandes ídolos foram Avelino Cozza, Pedro Pierre, Ítalo Paschoal, Humberto Monassi e Paulino Nicolau. Em 1923 chegou a jogar com o famoso time do Paulistano que fizera um furor na Europa. 

O São Joaquim foi honrosamente derrotado por 4 X 2. Nas décadas de 40 e 50 os grandes ídolos foram: o goleiro Cera, o zagueiro Ferraciolli e principalmente o atacante Fábio Prócida.  

Em 31 de outubro de 1948 o São Joaquim, carinhosamente chamado de "Espigão", ficou conhecido em todo o país por ter vencido a S.E. Palmeiras, com o famoso goleiro Oberdan, por 2 X 1.  Nessa mesma época enfrentou o São Paulo F.C., com o famoso Leônidas da Silva.

Em 1958 o campo do "Espigão", que era quase no centro da cidade foi loteado, para ser reconstruído na Vila Deieno. Hoje ele ali tem uma bela sede, piscinas, estádio e quadras de tênis. Nessa época o futebol foi desaparecendo e o futsal tomou o seu lugar.

Em 13 de fevereiro de 1943 foi fundada pelo senhor Izéquias Parada, Anor Ferracioli e Paulino Nicolau, a Associação Atlética Joaquinense. Essa agremiação passou a ser chamada de ‘Baixada”

Durante muitos anos os jogos entre a Joaquinense e São Joaquim foram disputados com muito equilíbrio e bastante animosidade.

Fonte: Crônicas e fotos de São Joaquim da Barra, de Lúcio Falleiros


A nova sede do São Joaquim.


Foto de 1963. Vista aérea do campo de futebol do São Joaquim. Ao lado suas piscinas Inauguradas em 1961. No meio à esquerda o prédio do CENE e à sua frente a famosa torre da caixa d’água demolida na década de 70.

No meio agora à direita um quarteirão meio esbranquiçado que é a atual “Praça Padre Mário Lano”. O grande prédio todo branco è a Escola Industrial, tendo à sua esquerda o prédio do “Educandário Mater Salvatores


Foto de 1962. Um ano após a inauguração de suas piscinas, teve inicio a construção de sua nova sede e salões de festas. O objetivo foi dar a São Joaquim da Barra, um salão de festas apresentável, à altura da sociedade joaquinense. Construção à rua  Minas Gerais, onde hoje está o S.E.M.A.I.


Foto de 7 de setembro de 1961, dia da inauguração das piscinas da "Baixada", na rua Voluntário Geraldo. No fundo o "Estádio Ferracioli".          


Portão de entrada do antigo campo do São Joaquim, na esquina da Voluntário Geraldo com a Goiás, ao lado do São Joaquim Tênis Clube.


Década de 1950. São Joaquim. Esmerino – Breno - Laerte Osvaldinho - Carlitinho - Barqueti e Político. Agachados: Vasco - Ferreira – Humberto Ferracioli - Ary Cozza – Fabinho e Cera.     


Década de 50. Em pé: Ademir Trombini - Argeu Rossini - Fabinho - Fábio Prócida e os irmãos Cera e Aristides Trombini. Agachados: José Mendes - Quinca Sapinho - Tufi Barqueti e Garin.

Década de 50. São Joaquim. Abílio Stori - Alemão - Argeu Rossini - Ferreira - Alceu - Trombini - Político e Edgard Prócida de chapéu. Ajoelhados: Tufi Barqueti - Sebastiãozinho Pestana - Fábio Prócida e ???. Deitado: goleiro Durval Barbosa.       


Foto de 1954- Time dos Casados: Argeu Rossini - Joaquim de Souza - Miro Puga - Vitor Teixeira Marques - Lúcio Falleiros  Isaac Vilella Rosa - Roberto R. Junqueira - Walter Stupello e Antônio Tomazelli. Agachados: Edmar Ferracioli -Mário Vieira Brandt - Augusto Damásio Leça - doutor Cássio Alberto de Lima e o professor Crisógono Paulo de Castro.


Time dos Solteiros em torno de 1940. Em pé: Paulo Stamilo - Arnaldo Mendes de Oliveira - doutor Guilherme Junqueira Meirelles - doutor Plínio Torquato Junqueira - Gilberto Vilella Rosa - Luis Vilella Rosa - douor Moacyr Bastos - Pinho Nicolau e Ico Stamilo. Agachados: Lafaiete - Augusto Leça - doutorSolano e Gabriel Junqueira Reis (Bié).


O esquadrão do Palmeiras que perdeu para o São Joaquim por 2 X 1. Na foto o famoso goleiro Oberdan..

O esquadrão do São Joaquim F .C ., que venceu o Palmeiras por 2 X 1.


Leônidas da Silva com o craque Tufi Barqueti, do São Joaquim F.C.

Leônidas da Silva e o joaquinense “Cutuba “


Time do São Joaquim F.C., que em 11 de abril de 1948 perdeu para o São Paulo F.C., por 3 X 1.


Esquadrão do São Paulo F.C., que venceu ao São Joaquim, em 17 de abril de 1948, por 3 X 1. O quarto a partir da direita para a esquerda, ajoelhado, é o famoso Leônidas da Silva.
“Sai da Frente FC”. Moacyr de Oliveira (juiz). Só foi possível identificar quatro jogadores. Sentados: Nenê Carrara e Tomaz Montiani, com o goleiro no meio. Ajoelhados: Nenê Machado e Renor Machado, nas extremidades.


Vou Ali e Já Volto F.C. Moacyr de Oliveira (juiz) - Filhinho da farmácia Globo - Toninho do Banco - Dr. Otávio R. Enout - ??? e Antônio Finóchio. Ajoelhados: professor Alcides Barbosa Lorenzon e doutor Cintra. Sentados: Chico Olyntho Junqueira - doutor Ferreira e doutor Pedro Gelas. Este time venceu o “Sai da Frente F.C” por  6 X 4.


Tomara que Chova F.C. Em pé: Alcides Barbosa (juiz) - Moacyr de Oliveira - Salim Chead - Orontes Rosa dos Santos – Mário Barbosa e ???. Ajoelhados: Natinho Ayres Fonseca - Fernando Brasil - José Maria de Souza – Jerônimo Garcia Falleiros e Elias Salim. Deitado: goleiro Clemente de Lollo.   


Time da Baixada. Edy – Dercy Guidolim - Izéquias Parada – Rubens – Cirço Trindade - ??? -  Adriano Lourenço -  Ayrton Cozza Mário Vilas – Argeu  e  Chaninho Vilas. Os dois últimos, Morandini e Abner Parada.

1938. Quadrozinho de Aço. Em pé: Tatiu Antônio Deienno - José Mendes - Izéquias Parada - Baiano - Toninho - Fabrício Cozza - Júlio de Lollo - Vicente Budelon e Ico Stamilo. Ajoelhados: Tufi Barqueti - Wilson Prócida - Zé Nogueira - Fábio Prócida - Abílio Stori e Paulino Nicolau.


Foto de 1933. Padeiros F.C. Vicente Budelon (treinador) - Antônio Monteiro Rubens de Souza (Filhinho) - José Cavalini - Armando Rinaldi - o menino Luiz Pansani - Paulo Stamilo - David Franco de Morais - João Franco de Morais - Ico Stamilo – José de Andrade (Fininho) - José Ferreira (José Padeiro) - Augusto Simura e Valdivino Quirino de Carvalho (treinador)


Outra foto de 1932- Em pé: Nicolino - Edgard Prócida - Baiano -Etore Tozzo - Uru - Mica e Humberto Monassi. Ajoelhados: Wilson Prócida – Severino - Braz - Zé Nogueira e João Felipe.  O garoto é Oacy Pinhal.


Foto de 1932. Em pé: Filhinho - Simura - Edgard Prócida - Avelino Cozza (de gorro) e João Felipe. Ajoelhados: Pedro Pierri - Vicente Budelon - Abel -Aparecido Pinhal - João Budelon e sentado o goleiro Paulino Nicolau.

PRESENÇA FEMININA


Até meados da década de 1950, o futebol tinha um grande número de torcedores. O campo de futebol do São Joaquim, ao lado do Tênis Clube, atraia enorme assistência, inclusive senhoras, senhoritas e crianças. 

Em 1931 para melhorar o campo, foi organizada uma quermesse com quatro barracas, cada uma com o seu time de futebol onde os jogadores eram pessoas da elite, sem  qualidades futebolísticas. Foram formados quatro clubes.

Foto de 16 de junho de 1929. São Joaquim F.C. Em pé: Clemente de Lollo - ??? - Severino Carneiro Leão - Avelino Cozza – João Felipe e Nhonhô Coutinho. Ajoelhados: João Budelon - ??? e Simura. Sentados: Pedro Pierri e Vicente Budelon. Goleiro: Paulino Nicolau.       


Foto de 1922, a mais antiga foto do São Joaquim F.C. Em pé: Raphael Deienno - João Camargo - Humberto Monassi - José Peixoto e Avelino Cozza. Sentados e ajoelhados: Gabriel Peixoto - Pedro Pìerri - Luiz Volpini - José Chagas - Felini e Garcia. Venceu brilhantemente, lá em Uberaba, ao famoso Red F.C.  por 2 X 1.