segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A Pátria de Bombachas


FOTOS: Livro "1956 - Uma Epopéia Gaúcha no México", de Eduardo Valls

No dia 18 de março de 1956, o futebol gaúcho conquistou uma de suas maiores vitórias. Nesse dia, a Seleção Brasileira, formada por jogadores gaúchos, empatou em 2 X 2 com a Argentina, no Estádio Olímpico, no México, e conquistou o Campeonato Pan-Americano. A vitória significou o salto definitivo do futebol sulino em direção à maturidade, além da enorme projeção nacional. A equipe titular foi treinada por Francisco Duarte Júnior, o Teté, então técnico do Internacional de Porto Alegre.

Era fim de 1955 quando a notícia chegou: um selecionado gaúcho iria representar o scratch canarinho no 2o Campeonato Pan-Americano. Pouca gente acreditava que essa decisão da CBD (hoje CBF) teria algum futuro. A imprensa carioca dava frouxos de riso. Diziam eles que se um selecionado paulista que também representara o Brasil num certamente sul-americano um pouco antes havia naufragado, qual seria o galardão de um bando de gaúchos, senão a pior das derrotas?

Do meio desse pessimismo, um homem, Aneron Corrêa de Oliveira, resolveu defender a decisão da Confederação: fiasco maior que o paulista não iria acontecer. E a guerra começou. Mário Morais, cronista paulistano, defendia aos quatro ventos que o fiasco era eminente: “Temeridade! Temeridade! Incompetência da CBD!” - diziam. Nunca uma desgraça fora tão cantada aos quatro ventos como essa.

No Sul, começavam as providências: alheio à essas polêmicas, o treinador escolhido para a Seleção foi Teté. Tido como treinador turrão (virtude que lhe fora herdada dos tempos de caserna) e folclórico (já que ele era famoso por lidar com toda a espécie de macumba), sabia como poucos tirar o máximo de seus atletas e trabalhava com um inusitado esquema tático calcado na movimentação dos jogadores de ala, num 4-2-4 que seria futuramente entronizado pelo Brasil na Copa da Suécia.

Porém, mais inusitada foi a expressa determinação de Teté: ao escalar o grupo para o Pan, ele decidiu prescindir de atletas do centro do país. Mesmo com toda a pressão, ele se manteve convicto em seus interesses. Para o certame, convocou oito de seus jogadores do Inter, mais Raul Klein, do Floriano (hoje Novo Hamburgo) Aírton Pavilhão, Ênio Rodrigues, Sérgio Moacir, Ortunho e Juarez, do Grêmio, e Duarte, do Brasil de Pelotas. O “Marechal das Vitórias”, como era conhecido, também foi o criador do terceiro goleiro na seleção. Ele solicitou à CBD a inscrição de um atleta a mais para a defesa, para a disputa. O terceiro homem dos arcos foi Valdir Morais, do extinto Renner de Porto Alegre.

O Brasil estreou num 1o de março. Enquanto todos os países eram representados por suas forças máximas, nossa Seleção era a pátria de bombachas. O Chile, que meses antes, havia goleado a Seleção Paulista com a camisa da CBD acabou perdendo por 2 x 1, gols de Luizinho e Raul.

Na época, o Peru era considerado uma das maiores forças sul-americanas; o México apresentava um futebol considerado razoável porém consistente; a Costa Rica entrou no Pan como a sensação da temporada; mas, como sempre, a mais temida era a Argentina de Dominguez, Cuchiaroni, Sivori, Macchio, Corbata e Ratín. Foi uma exibição fantástica da Seleção Gaúcha, embora Teté fosse pressionado a levar jogadores de Rio e São Paulo, e ele não quis. Disse: “eu não vou levar”. “E levou só jogadores gaúchos”, relembra Larry, que integrava a equipe campeã.

Florindo, beque colorado que participou da conquista no México, recorda do time: “No gol saiu jogando o Sérgio, depois entrou o Valdir. Na lateral direita foi o Oreco, um jogador sensacional, eu como zagueiro central, como quarto-zagueiro o Ênio Rodrigues, lateral esquerdo Duarte, o meio de campo com Ênio Andrade e Odorico. A linha de ataque formada por Luizinho, Larri, Bodinho, Ênio e na ponta-esquerda Raul e depois o Chinesinho. Além destes, o banco de reservas era formado por excelentes atletas, como o zagueiro Aírton e o centroavante Juarez, que jogou todas as partidas no segundo tempo, no lugar do Larr”.

Mas o comandante daquele acratch era o próprio Teté que, com seu ímpeto e estilo de psicólogo do sobrenatural, conseguiu aliciar a todos com seu empirismo de encruzilhada e resolvia qualquer problema, até os que não tivessem muito a ver com o futebol. Se algum jogador aparecesse com alguma dor, ele sempre tinha uma mandinga para curá-lo. Um deles, Juarez, reclamava da canela esquerda. Então o técnico escalou Moura, o massagista, para tratá-lo. Arranjou um vidro com um líquido que, dizia ele, servia para evitar qualquer problema. E aplicava no local machucado, com arruda. Um dia, antes do jogo, o precioso líquido acabou:

“Seu Teté! Seu Teté! A água aquela acabou”, dizia Moura, em pânico, no intervalo do jogo. “O que eu faço?” “Não te preocupa“, disse Teté, disfarçando. “Coloca água da pia mesmo, e diz que é a benzida, que vai dar o mesmo resultado”.

E as vitórias se seguiam. O segundo jogo foi contra o Peru, com um ataque perigoso. Vitória de 1 X 0, com o lateral Oreco e Florindo frustrando as investidas andinas. Contra o México, o Brasil ganhou por 2 X 1, gols de Bodinho e Bravo contra. No dia 13, chegava a hora de enfrentar a sensação, Costa Rica. O selecionado gaúcho deu um baile e meteu sete na “sensação”, com três gols de Larry e três de Chinesinho.

Aliás, Chinesinho foi um caso à parte. Foi convocado por Teté para a ponta-esquerda, que preferiu deixá-lo no banco, em favor de Raul Klein. O treinador alegava que o jogador colorado não mantinha o desempenho ideal. Na verdade, blefava. Foi quando sacou Klein, e foi enfático com o reserva: “o Raul tá jogando que é uma beleza, eu vou te colocar, mas se tu não jogar a partida da tua vida eu não te coloco mais”. E lá foi o ponta colorado defender a sua titularidade. Jogou muito. No fim da partida, Teté disse, em tom de bravata: “o Raul tá jogando muito melhor que tu. Mas eu vou te dar mais uma chance porque tu é do Inter”.

O jogo de fundo era México e Argentina. Se o México vencesse a Argentina, o Brasil já seria campeão, independente do último jogo, porque nós havíamos vencido as quatro partidas, e a Argentina havia empatado uma, e se eles perdessem, ficariam com apenas três pontos. Sabendo disso, Teté fez de tudo para que o México liquidasse os argentinos. Aproveitando a amizade com o treinador do México, o comandante brasileiro chegou perto do homem e confidenciou:

“A gente é tudo vizinho deles, o Rio Grande é fronteira com a Argentina”, argumentava. “O negócio é o seguinte: eles são covardes, eles não agüentam, tem que dar pau neles, que eles se entregam, vocês ganham fácil. Mas tem que dar duro, dar pau neles!”

E não deu outra: o jogo foi um verdadeiro entrudo. Tanto que o número de expulsões do lado fronteiriço ao Brasil acabou beneficiando o scratch. O treinador mandou seus atletas baterem e os dois times terminaram o jogo quase sem plantel...

De repente, veio uma confusão do lado do campo. Gama Moucher, árbitro brasileiro, começou a expulsar gente dos dois times, e dado momento, a Argentina estava com sete jogadores e o México com nove. Mesmo em vantagem, os mexicanos puxaram o carro. Indignado com tamanha indolência, Teté foi reclamar do técnico dos anfitriões: “Tem que ganhar esse jogo! Tem que ganhar, e não empatar!”

E o homem nem bolacha para o brasileiro Foi quando Teté, mesmo sem voz (ele sofria de asma), foi para a lateral do campo, e começou a berrar em castelhano aos atletas mexicanos: “Arriba, pessoal! Arriba! Arranca! Atire no golo!” Não contente, mandou o massagista Moura pedir aos atacantes do México que matassem o jogo. A cena era surreal: os jogadores mexicanos, ao longe, e Tetê na ponta do campo, gesticulando furiosamente em direção ao gol: “Arriba! Arriba!“

Moura, aliás, como braço-esquerdo de Teté, foi o protagonista do episódio mais antológico e pitoresco de todo o Pan. O Brasil jogava contra o Peru que, à época, tinha um ataque fenomenal: Moschera, Félix Castillo e Draco. Era um timaço que disputava cada jogada palmo a palmo do campo. Depois do gol de Larry, aos vinte do primeiro tempo, a pressão peruana se tornava sufocante. Castillo, driblador e veloz batia Duarte com facilidade a cada ataque. Qualquer descuido do lateral brasileiro poderia ser fatal.

Em determinado lance, pelo fundo do campo, Odorico acabou lesionado, e ficou estirado na linha de fundo, sendo atendido por Moura, com sua maleta de madeira. Foi quando tudo aconteceu: enquanto verificava as condições do meio-campista colorado, o massagista sentiu a inexorável aproximação de Félix, que dribla Duarte, depois Ênio Rodrigues e corre sozinho pela linha de fundo com a bola, pronto para fuzilar Sérgio Moacir. Moura não pensa duas vezes, e atirando a pesada maleta aos pés do ponta peruano, fazendo o atleta cair estrepitosamente no gramado.

“Foi uma coisa, queriam prender o Moura”, lembra Larry. “Foi uma coisa horrível, os jogadores do Peru queriam matar ele, e nós tivemos que entrar no bolo para afastar. Foi uma coisa terrível”. Já Florindo entende que a atitude do massagista foi mais do que fundamental: “Foi um bafafá, expulsaram o Moura. Uma coisa que eu posso dizer o seguinte: se não fosse ele, o jogador peruano ia fazer o gol”.

Na final, contra a temida Argentina, Chinesinho fez 1 X 0, e Yaudica empatou, no primeiro tempo. Aos 13 minutos do segundo, de falta, Ênio Andrade fez 2 X 1. Cinco minutos antes do fim, Sívori empatou. Como o resultado garantia o título, os gaúchos só tocaram a bola até a festa.

O time campeão teve Valdir; Florindo e Figueiró (Duarte); Odorico, Oreco e Ênio Rodrigues; Luisinho, Bodinho, Larry, Ênio Andrade e Chinesinho. Na volta, Porto Alegre parou para receber os campeões. Simbolicamente ou não, a epopéia gaúcha com a camisa amarela da Seleção, além de calar os céticos, de certa forma abriu caminho para que o Brasil amealhasse o seu primeiro título mundial, dois anos depois. (O Profeta do Acontecido)

Em pé: Aneron, Vanzelotti, Valdir, Airton, Ortunho, Duarte, Florindo, Sérgio, Ênio Rodrigues, Odorico, Sarará, Figueiró, Oreco, Paulinho, Gama Malcher, Miguel Lardiez e Derly Monteiro. Agachados: Biscardi, Moura, Chinesinho, Hercilio, Milton, LuizinhoBodinho, Larry, Jerônimo, Juarez, Ênio Andrade, Raul Klein e Chicão.
Oreco, de sombreo, junto aos filhos no retorno do México (Foto: Álbum de família)
O capitão Ênio Rodrigues faz aentrega simbólica do troféu Jarrito México, ao presidente Juscelino Kubitschek, no Palácio do Catete.
O presidente da CBD, Silvio Pacheco, está no centro da foto com o troféu Jarrito México.
Maria Felix (primeira da esquerda para a direita)e Leonel Silveira (terceiro da esquerda para a direita), na festa promovida pela Federação Mexicana.
Raul Klein, o cantor Pedro Vargas e Paulinho.
Raul Klein caminha descalço pelas ruas da Cidade do México. Atrás dele estão Chinesinho e o roupeiro Chicão.
Jornal mexicano destaca conquista brasileira.
Em pé: Valdir - Oreco - Figueiró - Florindo - Odorico - Ênio Rodrigues e o massagista Biscardi. Agachados: Luizinho - Bodinho - Larry - Ênio Andrade e Chinesinho.
Aneron Corrêa de Oliveira, presidente da FRGF, Teté e Saturnino Vanzelotti segurando a Taça Zacatepec.
Em pé: Valdir - Oreco - Florindo - Odorico - Ênio Rodrigues e Duarte. Agachados: Luizinho - Bodinho - Larry - Ênio Andrade - Chinesinho e o massagista Biscardi.
Teté segura o troféu entregue pelo time Oro. Quem aparece com o distintivo da FIFA é o árbitro brasileiro Alberto da Gama Malcher
O massagista Moura tenta invadir o campo, na confusão com os mexicanos, mas é impedido pelo bandeirinha.
Em pé: Sérgio - Figueiró - Oreco - Florindo - Odorico e Duarte. Agachados: Luizinho - Bodinho - Larry - Ênio Andrade e Raul Klein.
O cantor Lucho Gatica era presença constante na concentração brasileira. Ao seu lado o atleta Sarará.
Samuel Madureira Coelho, Saturnino Vanzelotti, Luizinho e Derly Monteiro, comemorando.
Defesa do goleiro Sérgio.
Comemoração brasileira pela primeira vitória na competição. No alto aparecem Sérgio, Paloca, Hercilio e Figueiró.
Florindo sai chorando de campo, abraçado pelo massagista Moura.
Em pé: Sérgio - Oreco - Florindo - Odorico - Ênio Rodrigues e Duarte. Agachados: Luizinho - Bodinho - Larry - Ênio Andrade - Raul Klein e os massagistas Biscardi e Moura.
O técnico Teté e o jornalista carioca Fernando Carlos, comandam o pelotão dos jogadores.
Airton e Ortunho carregam a bandeira da CBD.
Ênio Andrade, Figueiró e Raul Klein na companhia de mariachis.

domingo, 7 de novembro de 2010

Almanaque Sportivo Tomaz Mazzoni de 1943

Capa do Almanaque Sportivo Tomaz Mazzoni, de 1943.
Seleção Paulista de 1942, bi-campeã brasileira.
Palmeiras, campeão paulista de 1942. Disputou todo o campeonato com o nome de Palestra. No jogo contra o São Paulo, que decidiu o certame, atuou pela primeira vez com a denominação de Palmeiras. Foi um jogo tumultuado, que acabou antes do tempo por determinação do juiz Jayme Janeiro. O São Paulo se negava a continuar jogando, depois de uma falta violenta que Leônidas sofreu de Junqueira. Os sãopaulinos exigiam a expulsão do faltoso. Virgilio, do tricolor já havia sido expulso por falta em Og.
Corinthians, vice-campeão paulista de 1942.
O quadro da Itália, campeão mundial de 1938.
Jogadores brasileiros que participaram do Sulamericano de 1937.
Bologna, da Itália bi-campeão europeu: 1932-1934.
São Bento, campeão paulista de 1914.
Paulista, de Jundiai campeão do interior paulista, em 1922.
Quadro belga, campeão da Olimpiada de 1920, em Antuérpia.
Flagrantes do Sul-Americano de 1919.
Quadro inglês, vencedor da Olimpiada de 1912, em Estocolmo.
Associação Atlética das Palmeiras, campeã paulista de 1909.
Time do Paulistano, em 1907.

sábado, 9 de outubro de 2010

O jalde-negro de Bagé


Fotos: Acervo do G.E. Bagé e Arquivo do Jornal "Minuano", de Bagé.

Histórico

O Bagé foi fundado no dia 5 de agosto de 1920 como resultado da união de dois outros times locais, o Sport Club 14 de Julho (fundado em 1913) e o Rio Branco. Entre os fundadores também figuravam alguns atletas do SC Bagé, primeiro clube de futebol de Bagé. Em relação às cores, herdou do Rio Branco o amarelo e do 14 de Julho o preto, surgindo aí o tradicional jalde-negro.

Fundadores

•Dr. Átila Vinhas, Dr. Carlos Brasil, Florêncio Lima, José Maria Parera, Leonardo Teixeira, Leonidio Malafaia, Nélson Osório Ripalda, Paulino Brandi, Dr. Sílvio Vinhas, Dr. Valandro e Virato Azambuja.

Primeira diretoria:

Presidente: Capitão Alípio Pereira Costa
Tesoureiro: Sargento Osório
Secretário:Austeclino Guaspe
Capitão Geral: Rafael Médice

A primeira partida disputada pelo Bagé ocorreu no dia 5 de setembro de 1920, exatamente um mês após a fundação. O adversário foi o Gabrielense, da cidade de São Gabriel. O placar da partida foi 1 x 1, e o autor do gol jalde-negro foi Argeu, que viria ser campeão gaúcho em 1925, defendendo o Bagé.

O Bagé, após cinco anos de sua fundação, sagrou-se Campeão Gaúcho de 1925, vencendo em Porto Alegre, no Estádio da Baixada, ao Grêmio Porto-Alegrense, pelo placar de 2 x 1. A partida foi realizada no dia 22 de novembro daquele ano.

O time jalde-negro campeão formou com: Júlio Amaral, Antônio e Fortunato; Misael Romero, Aníbal Machado e Catulino Moreira; Leonardo, Pasqualito, Oliveira, Páschoa e João Amaral. O Grêmio Porto-Alegrense jogou com: Eurico Lara, Sardinha e Neco; Macarrão, Feio e Zeca; Coró, Coi, Olmério, Luiz Carvalho e Meneghini. No caminho até a final, o Bagé foi campeão da Região Sul, e na semifinal eliminou o campeão da Região Fronteira, o Grêmio Santanense, por 3 x 1

Ainda nos anos 20, o Bagé chegou duas vezes nas finais do Campeonato Estadual, em 1927 e 1928. As partidas finais foram contra o Internacional e Americano, respectivamente. Nesta década o Bagé conquistou o tri-campeonato municipal e a hegemonia no campeonato citadino, com 5 títulos do certame (1931, 1932, 1933, 1936 e 1939).

Em 24 de abril de 1937 adquiriu definitivamente o terreno onde até hoje localiza-se o Estádio da Pedra Moura. Mais duas vezes o Bagé chegou ao título de "Campeão do Interior", em virtude do vice-campeonato Estadual. Foi vice-campeão Gaúcho em 1940 e 1944. Campeão citadino em 1949. Também em 1940 o Bagé imprimiu a maior goleada em um clássico Ba-Gua (que perdura até os dias atuais): 7 x 0 contra o rival Guarany.

1951 a 1955 - O Bagé conquistou o penta-campeonato citadino, tendo como capitão nestas conquistas o zagueiro João Marques do Nascimento.

1957 - Vice-Campeão Estadual.

Ainda na década de 50, outro importante título conquistado pelo Bagé foi a Copa do Centenário da cidade de Bagé, em 1959. O Bagé sagrou-se campeão da Segunda Divisão Gaúcha, em 1964. Bi-campeão citadino em 1975 e 1976. Vice-Campeão Gaúcho de Futsal em 1976.

Em 1977 o estádio da Pedra Moura inaugurou seu sistema de iluminação. Nos anos 70 o Bagé voltou a conquistar um título de caráter estadual: Campeão da Copa Governador do Estado do Rio Grande do Sul, Copa Cícero Soares, em 1977.

Foi na década de 70 que o Bagé conquistou as melhores colocações no Campeonato Gaúcho da Primeira Divisão, excetuando-se os títulos de 1925 e do interior nas décadas anteriores.

O Bagé sagrou-se Campeão Gaúcho da Segunda Divisão em 1982,1985 e vice-campeão em 1993. Na década de 80, alternou participações na 1ª e 2ª divisão do Estado. Em 2001 foi realizada ampla reforma no estádio, inclusive com a troca total do gramado. O jogo de re-inauguração foi contra o Juventude de Caxias do Sul. No final desta década o Bagé conquistou o título de Campeão do Sequiscentenário de Bagé, em 2009.

2009. Campeão municipal.

2000. Foto oficial dos 80 anos. Em pé, na primeira fila, Paulão, Luciano Corrêa, Arilson, Jair, Daniel, Digo, Paulino, Sandro, Aguinaldo, Émerson, Luciano André, Osvaldo Rolim (na época treinador de goleiros), Vladimir, Paulo Roberto Sandim Machado, Gilmar Gasparoni (Suca, então treinador jalde-negro) e Paulo Ricardo Rezende (fisicultor).

Na segunda fila, sentados, Eliezer, Leopoldo dos Reis, Venusino Moraes, Djalmo dos Reis, Elói José Thomas, Jesus Ollé Vives, Alencar Dal-Molin (presidente do clube naquela temporada), Paulo César Vieira, Antônio Carlos Machado Ferreira, Daltro Ivan Marques e Ângelo Roberto Silva.

Na terceira fila, Adriano, Candiota, Marcos, Tiago Rocha, Wilson, Marcelo Oliveira, Bruno, Didi, Anderson Santana (massagista) e Éderson.

Romário com a camisa do Bagé. (Foto:Carlos Alberto Ducos)

Ademir Vega, assassinado em 2000, foi um dos grandes jogadores na história do clube. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

Carlos Alberto Ducos, filho do ex-zagueiro Ducos, que jogou no jalde-negro, presidiu o G.E. Bagé de 2010 até meados de 2013.. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)





Estádio da Pedra Moura, a casa do G.E. Bagé. (Fotos: Jornal "Minuano", de Bagé)

2013. Um dos personagens mais importantes da história centenária do futebol bageense, Delmar Lemos Martins, o popularíssimo "Bexiga", vai completar 90 anos no dia 30 de dezembro. Em setembro deste ano ele esteve em visita ao local onde, há 70 anos, na temporada de 1943, começou a sua carreira futebolística: o estádio "Pedra Moura".

"Bexiga" foi lateral-direito de grandes times do Bagé nos áureos tempos da década de 1940, com dois títulos de vice-campeão gaúcho, em decisões com o "Rolo Compressor" do Internacional, de Porto Alegre. Ficou durante várias temporadas no Bagé, atuando depois pelo Pelotas, Guarany e Grêmio Porto Alegrense, entre outros clubes.

Recepcionado no estádio pelo diretor-executivo jalde-negro, Francisco Carlos Barbosa Gonçalves, Delmar Martins esteve na sala de troféus do clube, onde se reencontrou com símbolos de grandes conquistas. A última passagem de "Bexiga" pelo Bagé foi como treinador, em 1990. (Fonte: 

2010. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

2009. Campeão Bagé. (Foto: Acervo fotográfico do G.E. Bagé)

2004. (Foto: Acervo fotográfico do G.E. Bagé)

1998. (Foto: Acervo fotográfico do G.E. Bagé)

1996. (Foto:Acervo fotográfico do G.E. Bagé)

Zura. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)


1993. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

Foto do famoso "Ba-Gua de bombacha", disputado em 5 de junho de 1988, no Estádio da Pedra Moura, do G.E. Bagé, com empate em 3 X 3. Por causa desse jogo entidades tradicionalistas da cidade foram à Justiça, na tentativa de evitar novos clássicos. O jogo reuniu atletas em atividade e outros que já haviam pendurado as chuteiras. O árbitro, a cavalo e devidamente "pilchado", foi Pedro Jardim, mais conhecido por Pedro Zico. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

1980. Em pé: Édson - Ditão - Moacir - Suca - Alcir e Ibis Blois. Agachados: Wilsinho - Leco - Omar - Toninho e Huguinho. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

1980. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

1977. "Galego", quando recebeu o título de "Cidadão Bageense. (Foto: Jornal "Correio do Sul", de Bagé)

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Década de 70 . Paulo de Souza Lobo, o "Galego", dando instruções aos jogadores do G.E. Bagé. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

Paulo de Souza Lobo, o "Galego", foi talvez o melhor técnico da história do G.E. Bagé. (Foto:Acervo fotográfico do G.E. Bagé)

1974. O capitão Rocha ergue a Taça Governador do Estado, ganha pelo G.E. Bagé. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

Década de 1970. Em pé: Ferreira - Rubilar - Orcina - Ciro - Pingo e Mano. Agachados: Galeno Aita - Luiz Augusto - Sílvio Soares e Derli. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

1974. Em pé: Ferreira - Otávio - Paulo Sérgio Brasil - Pedro - Zico Rocha e Carlos. Agachados: Oli - Neco - Negrinho - Pedrada e Miconga. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

1973. (Foto: Acervo fotográfico do G.E. Bagé)
1972. (Foto: Acervo fotográfico do G.E. Bagé)
1968. Em pé: Jorge - Jobim - Barradinhas II - Ralph - Henrique - Alfeu e Ismael Moreira. Agachados: Chemin - Jorge Rosa - Sagu - Tilico e Adãozinho. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

1965. Em pé: Homero - Gabriel - Jair - Pedrinho - Alfeu e Mano. Agachados: Luís - Jorginho - Bidu - Picão - Vergílio e Arli Maciel. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

1964. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

1963. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

Final da década de 1950. Tupanzinho no G.E. Bagé. (Foto:Arquivo fotográfico do G.E. Bagé)

1961. Lico, em um treino do Bagé. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)



1959. Campeões do Centenário. Em pé: Antoninho - Carioca - Teixeira - Roberto Caramuru - Sidnei e Gabriel. Agachados: Storniollo - Euzébio - Tupanzinho - Henrique Andrade e Carlos Cabral. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

1956. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

Esta foto é da década de 1950, quando o atacante Juarez (o "Tanque"), que depois brilhou no Grêmio Portoalegrense, ainda vestia a camisa do G.S. Bagé. Os jogadores em pé não estão identificados. Agachados: Krieger - Ivo Medeiros - Juarez - Jara e Danilo Tarouco. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

Ribeiro. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé.)

Barradinhas e Pelé. (Foto: Arquivo de Jóice Souza Portacio)

Barradinhas sendo entrevistado. (Foto: Arquivo de Jóice Souza Portacio)

1954. Confraternização. Os tetra-campeões da cidade reunidos na sede do G.E. Bagé, na rua Barão do Amazonas. esquina com Santos Souza. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

Trio final em 1954: Xavier, Táboa e Nascimento. (Foto: Acervo fotográfico do G.E. Bagé)

1954. Goleada de 7 X 0 sobre o G.A. Farroupilha, em Pelotas. Em pé: Saul - Sérgio - Nascimento - Táboa Xavier e Barradinha. Agachados: Camargo - Velho - Balejo - Cross e Tejera. (Foto: Acervo fotográfico do G.E. Bagé)

1952 - Ba-Gua para decidir citadino foi na Timbaúva em Porto Alegre. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

Dênica. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé.

1952. Ataque jalde-negro: Dênica - Sete - Oswaldo Cross - Álvaro - Soares e Ferro. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

Haroldo foi um dos grandes goleiros da história do G.E. Bagé. Seu nome verdadeiro é Harold Willems Cavezzale de Campos, nascido em Palmital, interior paulista, em 13 de outubro de 1929.

Ele começou a carreira nos juvenis do Palmeiras, depois passou pelas categorias de base do Vasco da Gama, no fim da década de 1940, quando o clube cruzmaltino contava com jogadores famosos como Barbosa, Augusto, Rafanelli, Eli do Amparo, Danilo Alvim, Jorge, Friaça, Maneca, Heleno de Freitas, Jair da Rosa Pinto, Chico, entre muitos outros.

O velho goleiro teve sua primeira experiência como atleta profissional no antigo Floriano (hoje Novo Hamburgo), depois foi para o Nacional, de Montevidéu. Como o ex-sogro estava enfermo, Haroldo veio a Bagé para visitá-lo e trouxe, endereçada ao dirigente jalde-negro Poli Guasque, uma carta de recomendação assinada pelo ex-goleiro do Bagé Edmundo.

Acabou ficando e, já em 1952, foi campeão da cidade pelo jalde-negro. Naquele ano, quando a rivalidade Ba-Gua era acirradíssima, teve seu nome envolvido em denúncia de tentativa de suborno. Superou o momento de dificuldade com galhardia e, em sua homenagem, foi lançado um lápis (o professor João de Deus González guarda até hoje um exemplar), com a inscrição: “Haroldo, símbolo de honestidade”.

Também naquela época, mandou publicar matéria paga no jornal “Correio do Sul”, dizendo que as suas eventuais falhas técnicas deviam-se aos problemas físicos que enfrentava.

Do Bagé foi para o Brasil de Pelotas, depois o futebol chileno. Em 1955, Haroldo estava novamente em Bagé, dessa feita como jogador do Guarany. Recorda que, num Ba-Gua, ao praticar uma defesa arrojada, jogando-se nos pés de um adversário, sofreu fratura de um braço e, como naquela época não havia substituição, continuou em campo até o final.

O massagista Salvador Rubilar enfaixou seu braço e ele continuou em campo. O jogo acabou em 1 X 1, marcando Miroca para o Guarany e Humberto Camacho para o Bagé. Em 1957, Campos atuou pelo Santa Cruz, de Recife e, no ano seguinte, voltou ao Guarany e foi campeão da cidade.

Num clássico Ba-Gua, dia 7 de setembro daquele ano, na “Pedra Moura”, quase no final do primeiro tempo, Haroldo e o atacante Carlos Cabral se desentenderam. O árbitro, um argentino, perguntou quem havia atingido o outro primeiro. Foi o Cabral, mas ele negou, e o apitador disse que os dois estavam expulsos. O centroavante Juarez foi improvisado goleiro. O Guarany venceu por 1 X 0, gol de Camacho. A carreira de atleta de Haroldo foi encerrada no Bahia.

Como treinador, Haroldo Campos começou no Ypiranga, de Erechim; depois, o futebol paraguaio (para onde levou Saul Mujica, seu antigo companheiro de time no Bagé), Portugal (recomendado por Aimoré Moreira, onde treinou São Joanense e Leixões, que salvou do rebaixamento), Espanha (Rayo Valecano e Deportiva Cultural), França (Nice) e Venezuela (Deportivo Táchira).

Em 1978, quando o presidente do Guarany era Belchior Silva Dias, Haroldo foi treinador alvirrubro. Sob seu comando, o time disputou 17 jogos, com quatro vitórias, seis empates e sete derrotas. Trabalharam com ele, naquela época, entre outros Airton Fontes, Badico I, Totonho, Claires, Ivan Couto, Jorge, Osvaldo, Ernâni, Hamilton, Ricardo Lemos e Roberto “Porquinho”.


De quando atleta jogou ao lado de Athayde Tarouco, Ducos, Nascimento, Osvaldo Cross, Álvaro e Ário Soares, entre outros.  (Fonte: Jornal “Minuano”, de Bagé)

1952. Em pé: Saul Mujica - Saul Dias - Tico - Ário Soares - Nascimento e Haroldo. Agachados: Dênica - Ribeiro - Cross - Álvaro Soares e Ferro. (Foto:Acervo fotográfico do G.E. Bagé)

1952. Em pé: Haroldo - Tico - Saul Mujica - Ário Soares - João Nascimento e Saul II. Agachados: Dênica - Sete - Cross - Álvaro Soares e Ferro. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

1952. O time jalde-negro que se sagrou campeão da cidade tinha como formação prinipal: Hroldo - Nasciento e Ário. Tico - Saul II e Ribeiro. Dênica - Álvaro - Cross - Heitor e Saul I. (Foto: Marlon Kruger Compassi)

Ballejo, o maior artilheiro da história do G.E. Bagé, com 117 gols assinalados. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

Sem o ano. (Foto: Acervo fotográfico do G.E. Bagé)

1947 - G.E. Bagé, com Alceu Collares no time. Em pé: Poli - Marimbondo - Chico - Venceslau - Bexiga - Ducos e Darci. Agachados: Aristeu - Alceu Colares - Nadir - Ballejo - Fioreli - Velho - Jorginho e Geni. (Foto: Acervo fotográfico do G.E. Bagé)

!945. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

1943. No dia 24 de outubro de 1943, no Estádio dos Eucaliptos, em Porto Alegre, o G.E. Bagé foi autor de uma notável façanha: aplicou uma goleada de 6 X 1 na Seleção Gaúcha, que era formada basicamente pelos craques do Rolo Compressor do Internacional.

Esta foto é histórica, o Bagé tinha um grande time. A formação do time era esta, mas não traduz a ordem na foto: Edmundo - Mário Rodrigues – Orondo – Barradas - Junção e Garcia - Dom Pedrito – Fierro – Tupan - Franquito e Rui Garrastazu. Os gols do Bagé foram marcados por Tupan (dois), Franquito (dois), Fierro e Rui Garrastazu. (Foto: arquivo de José Clóvis Barcellos, publicada no jornal "Minuano", de Bagé)

1943. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

1940. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

Foto muito antiga. (Foto: Álbum comemorativo aos 28 anos do G.E. Bagé)

1927 - Lance do jogo Inter X Bagé na decisão do estadual, vencido pelo Inter por 3 x 1.1927. Em pé: Páschoa - Panta - Félix Magno - Pinote - Antoninho - Menel e Novais. Agachados: Roberto - Tuta - Machado - Pasqualito e Genaro. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

1927. (Foto: Acervo fotográfico do G.E. Bagé)

1927. (Foto: Acervo fotográfico do G.E. Bagé

1925. Foto: Jornal "Zero Hora", de Porto Alegre)

1925. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)
Capitão Florêncio de Lima Py, o primeiro presidente do G.E. Bagé. (Foto: Jornal "Minuano", de Bagé)

Time do G.E. Bagé, nos primórdios. (Foto: Álbum comemorativo aos 28 anos do G.E. Bagé)

1910. S.C. Rio Branco, um dos clubes precursores do G.E. Bagé. (Foto: Jornal "Minuano, de Bagé)

Equipe do S.C. Bagé, em 1906, fundado no dia 15 de novembro daquele ano. Este clube introduziu o futebol na cidade de Bagé e tinha como cores o amarelo e preto. Foi também o embrião do G.E. Bagé.

O primeiro gol jalde-negro foi de Argeu, no dia 5 de setembro de 1920, justamente na primeira partida do Bagé em sua história, empate em um gol com o Gabrielense. O jogo foi disputado em Bagé. No mesmo ano, Argeu foi campeão estadual pelo Guarany e, cinco anos depois, conquistaria de novo o título, então pelo Bagé. (Fonte: Jornal "Minuano", de Bagé)