segunda-feira, 7 de maio de 2012

Futebol de Rosário do Sul



Rosário do Sul foi desmembrado dos municípios de Alegrete e São Gabriel e no ano de 1800, teve início o povoamento da sede.

As denominações anteriores, "Nossa Senhora do Rosário" e "Rosário", assim como a denominação atual, ligam-se à Santa Padroeira do lugar, Nossa Senhora do Rosário.

Rosário do Sul já havia entrado na história do Rio Grande do Sul e do país como quartel-general das forças imperiais que, em 1816, se preparavam para combater o caudilho oriental, José Artigas e já recebera a visita do imperador Dom Pedro II, que atravessava a província para receber em Uruguaiana a rendição das tropas paraguaias que haviam ocupado aquela cidade.

Rosário do Sul orgulha-se de ser o berço do gaúcho nativo, afirmando que foi na Serra do Caverá, junto aos cerros Macaco, Bugio, Figura de Pedra e Minuano, que se processou a formação do homem do pampa a partir do final do século 17.

OBSERVAÇÃO: *Nilo, o Betinho da terceira foto de cima para baixo da Associação Rosário jogou no Corinthians (SP), onde era reserva do Jacenir. Foi titular num jogo contra o Internacional, no Beira Rio. Nesse jogo o ponteiro colorado era o Alex Rossi, de Cacequi. A Radio Guaiba até chamou a atenção para isso, um duelo Rosário X Cacequi.

Numa outra foto mais abaixo, sem identificação, de 1983 estão o cabeludo Neudo, que saiu da Associação Ros. para o São Paulo, de Rio Grande e o Caio Flávio, que foi ídolo na S.E.R. São Gabriel. (Jorge Marcos Telles de Oliveira, de Santa Maria-RS)

Reliquias do futebol rosariense

Fotos gentilmente cedidas pela amiga Issa Duquia. Fotos maravilhosas, que remontam a uma época romântica do futebol, verdadeiras reliquias. 

"Nilo, tenho familiares que moram em Dom Pedrito. Sou rosariense mas moro em Criciúma há muito tempo, tenho uma produtora de vídeo junto com o meu marido. 

Em 2001 fizemos um programete para a RBS TV Criciúma sobre os times de futebol da região, como surgiram, suas trajetórias, foi bem legal. Chamava-se "Minuto do Futebol". Meu pai também foi jogador de futebol, goleiro do time Atlético Internacional, da Swifit de Rosário do Sul no final da década de 40 e 50. Eu  autorizo a publicação das fotos em seu blog, com o maior prazer."

Mamud, pai de Issa Duquia, era dono de um físico avantajado, próprio para ser goleiro.

Mamud com a faixa de campeão pelo Internacional, de Rosário do Sul.

Mamud, em bonita defesa.

Mamud segurando firmemente a bola.

Uma família de goleiros. Mustafa, irmão de Mamud, com a faixa de tri-campeão. Esse, o operador do blog quando ainda menino, viu jogar. "Meu pai trabalhava na Companhia Swift e morávamos na rua Voluntários da Pátria".

Mustafa, com a camisa do Guarany, de Rosário do Sul.

Abeloeb (com as mãos na cintura), irmão de Mamud e Mustafa, foi o único que não quis ser goleiro.

Abeloeb no Farrupilha, de Pelotas. É o segundo agachado.

Internacional, de Rosário do Sul. O goleiro é Mamud.

Internacional, de Rosário do Sul. Foto sem identificação.

Revelação rosariense

Claudinho no Vasco da Gama, do Rio deJaneiro. (Fonte: http://www.rosariodosulemfotos.blogspot.com/)


Claudinho no Internacional, de Santa Maria (RS). (Fonte: http://www.rosariodosulemfotos.blogspot.com/)

Claudio Prates, o "Claudinho" nasceu em Rosário do Sul (RS), no dia 18 de setembro de 1965, tendo começado a carreira nas categorias de base da Associação Rosário de Futebol. Se profissionalizou em 1985 e jogou até 2004, quando encerrou a carreira. Nos 19 anos como atleta, defendeu vários clubes:
1983-1985 - Categorias de base do E.C. Internacional-SM, de Santa Maria (RS)

1986 – Clube de Regatas Vasco da Gama (RJ)
1987 – America Esporte Clube (SP)
1987 – Farense Sporting Club (Portugal)
1988 – Clube Atlético Bragantino (SP)
1989 – Juventus Atletico Clube (SP)
1990 – Vitória Esporte Clube (BA)
1993 – SER Caxias (RS)
1994– Figuerense Esporte Clube (SC)
1996- ABC Futebol Clube (RN)
1994 –1 FC Kosice (Republica Slovakia)
1997 – Al Arabi Sport Club (Qatar)
1998 – Al Shamal Sport Club (Qatar)
1999 – Al Arabi Sport Club (Kuwait)
2000- Al Arabi Sport Club (Kuwait)
2001- Al Shoulla Sport Club (Arábia Saudita)
2002-Al Shoulla Sport Club (Arábia Saudita)
2003- Al Khallej Sport Club (Arábia Saudita)

Títulos conquistados

1986 - Campeão da Taça Guanabara-RJ
1988 - Campeão da Divisão de Acesso Paulista
1990 - Campeão Baiano
1992 - Vice-Campeão Brasileiro serie B –Acesso.
1992 - Campeão Baiano
1997 - Campeão Potiguar
1999 - Tri -Campeão da Copa Emir –Kuwait
1999 - Campeão da Copa Kharafi – Kuwait
1999 - Campeão da Copa do Príncipe-Kuwait
2000 - Vice-Campeão da Arabic Champions League

Hoje, Claudinho trabalha como auxiliar-técnico do América mineiro.

Associação Rosario de Futebol. Anos 2000. Sem identifficação. (Foto: Álbum do ex-jogador Leozinho)
Associação Rosário de Futebol. Anos 90. Fonte: www.rosariodosulemfotos.blogspot.com

Associação Rosário de Futebol, nos anos 90. (Foto: www.rosariodosulemfotos.blogspot.com

1986 - Associação Rosário de Futebol. (Fonte: http://www.rosariodosulemfotos.blogspot.com/)

Associação Rosário de Futebol. Sem identificação. (Fonte: http://www.rosariodosulemfotos.blogspot.com/)

Seleção de Rosário do Sul X Juvenis do Internacional, de Porto Alegre. Sem a data do jogo.(Foto:Acervo de João Pedro Oliveira "Seu Pedrinho" ou simplesmente "Táta", publicada na página "Rosário do Sul Memória do Esporte", no Facebook)

1979 - Associação Rosário de Futebol. (Fonte: http://www.rosariodosulemfotos.blogspot.com/)

Esta foto data do ano de 1978. É  a equipedo Plácido de Castro, que se sagrou campeã do futebol de campo, do Jimp. Em pé: Renato Rufo - Fumaça (Iracet) - Joel - Neco - Paulo Elesbão - Quero-Quero (Gilberto Rufo) - Getúlio - Gonzaga e Emogar (Técnico). Agachados: Nilo - Jorge - Garibaldi - Bergue - Mario Antonio - Leozinho e Régis. (Foto: Geribone Hudison, o "Bergue", publicada)

Time do CMD que depois se transformou na Associação Rosário de Futebol.(Foto:Acervo de João Pedro Oliveira "Seu Pedrinho" ou simplesmente "Táta", publicada na página  "Rosário do Sul Memória do Esporte", no Facebook)) 

Grêmio Esportivo Rosariense, que depois viria a ser o Municipal. Foto sem identificação. (Foto:Acervo de João Pedro Oliveira "Seu Pedrinho" ou simplesmente "Táta", publicada na página "Rosário do Sul Memória do Esporte", no Facebook) )


Equipe do Clube Atlético Ipiranga, de Rosário do Sul em 1962, quando recebeu e venceu em partida amistosa o grande Penharol, do Uruguai por 2 X 1, gols de Carretel. (Foto: Arquivo particular do pesquisador Jorge Telles de Oliveira, residente em Santa Maria)

 Atlético Swift Internacional





Escudos utilizados pelo Atlético Swift Internacional.

Com a subida da equipe do Atlético Swift Internacional para o Campeonato Gaucho de 1956 que era disputado por regiões, as atenções dos torcedores da pequena cidade de Rosário do Sul se voltaram para o time da principal industria local.

O Guarany que já vinha enfrentando grandes dificuldades financeiras e era presidido pelo senhor Oly Leitão resolveu decretar sua extinção no ano seguinte, em 1957. O Inter Swift ainda disputou o Gauchão de 1959 e após isso também caiu em decadência. (JorgeMarcos Telles de Oliveira)

Estádio da Swift (atual Centenário),nos tempos do Atlético Swift Internacional. (Foto:Acervo de João Pedro Oliveira "Seu Pedrinho" ou simplesmente "Táta", publicada na página "Rosário do Sul Memória do Esporte", no Facebook))


"Baixada Azul e Branca dos Industriários", era assim registrado na FGF o estádio do Atlético Swift Internacional, hoje "Estádio Centenário" ou "Alcides Pereira da Silva". Em certa época esse estádio também foi chamado de "Eucaliptos" mas não oficialmente.

Mesmo tendo como data oficial de fundação 9 de julho de 1938, o Atlético Swift Internacional começou a aparecer nas festas de comemoração da Independência do Brasil no ano de 1922, tendo como ground o espaço chamado "Lille Swift", no terreno onde depois foi construido o Hotel Swift.

Lembro, eu estava nesse jogo, foi entre a Seleção do CMD e o juvenil do Internacional, de Porto Alegre. Essa foto é da década de 70. Mesmo sendo de madeira o estádio tinha muito mais acomodações que agora e lotava em todos os jogos do Swift.

Tinha até uma espécie de torcida organizada, "Os Caranchos", tudo ralé provocante, tudo peão de chão da fabrica, rapadores de osso. A maioria vinha de Cacequi. Os ossos eram rapados para usar no rosbife.(Comentário: Jorge Telles)

Juntos as equipes do Atlético Swift Internacional e S.C. Internacional, de Porto Alegre, que realizaram um jogo amistoso. Foto sem identificação. (Foto:Acervo de João Pedro Oliveira "Seu Pedrinho" ou simplesmente "Táta", publicada na página "Rosário do Sul Memória do Esporte", no Facebook))


Equipes do Atlético Swift Internacional, de Rosário do Sul e o Esporte Clube Internacional, de Santa Maria em 1957. (Foto: Arquivo particular do pesquisador Jorge Telles de Oliveira, residente em Santa Maria)
Estádio da antiga Praça Dr. Bozzano em Rosário do Sul, hoje Praça do Estudante, atual Colégio Padre Ângelo Bartele. Na foto os times do Sport Club Guarany e o Atlético Swift Internacional. Note-se que os atletas do Internacional estão todos eles com os gorros de operários da Swift. (Foto: Arquivo particular do pesquisador Jorge Telles de Oliveira, residente em Santa Maria)




História

O Atlético Swift Internacional foi fundado no dia 9 de Julho de 1938. A sua sede ficava na Rua General Canabarro, 144 no Centro. A Swift International Meat Company of Brazil (Cia Swift do Brasil) chegou em Rosário do Sul em 1917, quando comprou as instalações do "Saladero Unión del Rozário", de capital uruguaio. 

O "Lile Swift" era como se chamava o "ground of soccer", grôndi como os rosarienses chamavam o local de recreação onde também se praticava o foot-ball. Nessa época os principais clubes de futebol de Rosário do Sul eram o Sport Club Guarany, o Foot ball Club Riachuelo e o Clube de Regatas Tamandaré, que também praticava o remo. O futebol na Swift era praticado entre os departamentos.

As primeiras referências sobre o Club Swift International só aparecem em 1922 nos festejos da independência do Brasil, e posteriormente disputando torneios municipais e amistosos com o co-irmão Armour, de Livramento.

Por força de uma lei do Estado Novo implantado pelo presidente Getúlio Vargas, que proibia estrangeirismos nas sociedades civis no Brasil o clube teve de retirar o nome Swift, passando a se chamar Atlético Clube Internacional por muitos anos. O nome original só voltou a ser usado a partir de 1950, Atletico Swift Internacional.

O Internacional, de Rosário participou dos campeonatos gaúchos de Aspirantes nos anos de 1942, 1943, 1944, 1948 e 1952; no Campeonato Gaúcho da 2ª Divisão, que até 1960, não dava acesso a 1ª Divisão, já como Swift Internacional nos anos de 1955, 1956, 1957, 1958 e 1959 e na decadência do clube em 1960. O último relato que se tem do clube foi o de campeão gaúcho de amadores em 1965. (Fontes: Jorge Telles / Douglas Marcelo Rambor) 

Sport Club Guarany

O Sport Club Guarany foi fundado em 3 de fevereiro de 1909 na cidade de Rosário do Sul, no Estado do Rio Grande do Sul. O escudo do Guarany era igual ao da Associação Rosário de Futebol.

Sport Clube Guarany entrando em campo, tendo a sua madrinha a frente. Foto sem identificação. (Foto:Acervo de João Pedro Oliveira "Seu Pedrinho" ou simplesmente "Táta", publicada na página "Rosário do Sul Memória do Esporte", no Facebook)

 Em 1977, os fundadores da Associação tinham a intenção de arregimentar os antigos e saudosistas torcedores do velho Guarany, por isso usaram o mesmo escudo, mas com as letras ARF e as mesmas cores amarelo e preto.

Em 1937, o Sport Club Guarany foi obrigado pela Intendência Municipal a entregar o Estádio da Praça Nova, por isso o jalde negro ficou sem casa.

O município tinha a intenção de urbanizar o local a que deu o nome de Praça Doutor Bozano, construindo o Ginásio e o monumento da "Santinha". O nome de Doutor Bozano era uma homenagem ao ex-prefeito de Santa Maria, Doutor Júlio Rafael de Aragão Bozano, que foi assassinado.

Mas nem tudo estava perdido. Uma lista correu rápido entre os ferrenhos torcedores e, em menos de um ano um novo estádio foi erguido, num vasto terreno cedido por comodato pelo senhor Cristalino Lopes, fundos de sua chácara no fim da Rua General Osório, no começo da várzea do Rio Ibicuy D'Armada.

Logo o local ganhou o nome de Estádio ou "Reduto dos Carrapichos", por ficar próximo a uma vila de operários da Companhia Swift, que tinha essa alcunha por ter em quantidade nos terrenos esse conhecido e rasteiro arbusto.

No Campeonato Gaucho de 1927 o Guarany de Rosário foi derrotado pelo 14 de Julho de Livramento por 1 X 0, gol feito aos 42 minutos do segundo tempo. O Guarany protestou na Federação, que anulou a partida pois os tempos de jogo na época eram de 40 minutos e não havia acréscimos por minutos perdidos.

Um novo jogo foi marcado em campo neutro. Foi na "Baixada dos Moinhos de Vento", em Porto Alegre, antigo campo do Grêmio. E aí sim o 14 aplicou 2 X 0 no Guarany. Em tempo: Esse campeonato de 1927 foi o primeiro Gauchão conquistado pelo Internacional de Porto Alegre.

No dia 11 de outubro de 1928, o Jornal "Correio da Serra", de Santa Maria publicou a seguinte notícia:

"Chefiada pelo doutor Agripino Araujo, passou por esta cidade a missão esportiva do Guarany, de Rosário, flamante campeão da Fronteira que, em Porto Alegre enfrentará o Grêmio Esportivo Bagé da cidade do mesmo nome, em partida semifinal pelo titulo de campeão do Estado.

Na primeira partida pelas semifinais do "Gauchão" de 1928, que foi realizada no estadio da "Baixada dos Moinhos de Vento" entre o Grêmio Bagé e o Guarany, de Rosário do Sul, houve um empate de 3 X 3. Na prorrogação continuaram empatados. Outro jogo foi marcado para dois dias após e aí o Bagé acabou vencendo por 2 X 0.

O Bagé formou com Tavico - Antonio e Pasqualito - Moreira - Magno e Chato - Roberto - Bate Bate - Giumelli - Oliveira e Picão. O Guarany de Rosário do Sul com: Aguirre - Gilberto e Orozimbo - João - Salvador e Véco Barroso - Otacilio - Arí - Costa e Floriano.

O campeão gaucho de 1928 foi o Americano, de Porto Alegre que venceu o Bagé na final por 3 X 0 e já tinha eliminado a dupla Grenal daquele campeonato.

O vice ficou com o Bagé, em 3° o Gaúcho de Passo Fundo, em 4° o Guarany e em 5° o Nacional de São Leopoldo. Como se vê: Um dia no passado o futebol de Rosário do Sul foi superior ao da dupla Grenal. (Fonte:  livro "Futebol e Reminiscências", de autoria de Hermito Lopes Sobrinho, de Santa Maria-RS.)

Comentário

Conhecí dois jogadores desse time de 1928, o seu Véco Barroso que morava na Rual Gal. Canabarro em frente da Churrascaria Planalto e o seu Floriano Albuquerque que foi comerciante até á poucoa anos atrás na Rua Amaro Souto entre o Estádio do Atlético Swift Internacional (atual Estadio Centenário) e os trilhos da Viação Ferrea. (Jorge Marcos Telles de Oliveira)

O Bar do Oswaldo

Quem conheceu, em Rosário do Sul, o Bar do Oswaldo, vai entender o que estou escrevendo e sentir o que estou sentindo. Esteve ali, na esquina da João Brasil, com a Voluntários da Pátria, desde a década de 1950. Por ali passaram gerações  de  intelectuais e de boêmios que o tempo se encarregou de fazê-los quase  esquecidos.

Comecei a frequentar o bar do Oswaldo, a partir do ano de 1965, pois nesta época eu já estava empregado no Banco da Província e já podia pagar o meu cigarro, a minha cerveja e o meu lanche de fim de tarde que se constituía, obrigatoriamente, de salame italiano e queijo  colonial.

Este lanche era chamado "picadinho misto". O picadinho completo que era, pedido pelos de mais posses, era o mesmo picadinho de queijo e salame, ao qual era adicionado pepinos em conservas!

Ali, eu ainda guri, ficava fascinado vendo os mais velhos jogarem dominó e discutirem política, filosofia, história, literatura e tudo o mais que a inteligência rosariense era capaz de produzir e que o uísque e o samba (cachaça com coca-cola e gelo) se encarregavam de liberar, para nossa alegria e para nossa cultura.

Naquelas mesas, sentaram, o Ney Freitas,  funcionário do Banco do Brasil e professor de matemática, o Ione Freitas, livre pensador e mecânico  sem similar, o João Pacheco, que morreu cedo e  que falava de Sartre, de Marx e quando se passava no uísque, declamava Fernando Pessoa.

Por ali passaram o José Antonio Trindade, o Nilton Azevedo, o Harry Izaguirri, o Caco Canestrini, o Rubem Fialho, o Delíbio Fontoura Lopes, o Paulo Roberto Carbonell, o Luiz Carlos Carbonell, o João Pacheco da  Cunha, o Soter Arigony, o Jari Acosta, o  Mario Souza, o Marzinho, o Odilon Santiago, o Selmar. O alemão Valmor que tocava gaita e que um dia me disse que o Sivuca era o maior gaiteiro do Brasil.

Naquelas mesas sentou o médico Werneldo Ervino Vebber, cardiologista de raro brilhantismo  que, quando bebia, ficava louco.

Por ali, fumando um cigarro de palha passou o seu Adamastor Pinheiro, o Carlinhos Pinheiro, o Otacílio Pacheco de Campos, o Roberto, o Juca e o Carlos Fonseca.

Frequentava também o bar, mas raramente, o famoso "Português", que foi um grande jogador de futebol  do Atlético Swift Internacional e que quando chegava, o assunto ficava animado  com todo o mundo querendo saber o que ele achava do time do Grêmio, do Inter e da Seleção do Brasil.

O "João Barbeiro", o "Bijico", o Silmar,  o seu Eurico Arigony e doutor José Arigony, eram presenças diárias no local.

E em um canto, perto do caixa e do lugar onde o Oswaldo ficava, se encontravam,sempre,  falando de  negócios, aos fins de tarde, o seu Catarino Severo, o seu Lafar Azevedo, o seu Joca Fialho, o seu Ignácio Izaguirri, o seu Armando Adolfo Caetano  e tantos outros que povoaram a minha juventude  e que hoje, à distancia, representam uma  foto sem retoques do tipo humano e social,  dos  autênticos gaúchos  que não desfilavam  no 20 de setembro pois que, para eles, todo o dia era dia de gaúcho.

O Bar do Oswaldo foi um marco em Rosário do Sul. Para mim e para meu irmãos  Ênio e Magno, então, era um lugar sagrado.

Quando eu  saia do Curso de Contabilidade que  frequentava no Grupo Escolar Marçal Pacheco, não deixava de passar por ali , para tomar uma  cerveja, a mais gelada  e que era servida pelo "Pata Choca", pelo "Rosa Novo" ou pelo "Rosa Velho".

Na década de 70, já em Porto Alegre, levava meus amigos, para visitar Rosário do Sul e para conhecerem o Bar do Oswaldo.

No Bar do Oswaldo recebíamos a nossa iniciação nas artes de discutir futebol,  religião e política. E, nos tempos de exceção não raras vezes, muitos de nós tivemos que sair pelo fundos, porque a patrulha do Exercito, chegava, pela frente, denunciadas que eram as nossas conversas, por expectadores com outras intenções que não eram as de tomar uma cerveja gelada ou comer um picadinho de queijo com salame italiano!

Com a morte do Oswaldo  e com a morte da maioria dos seus frequentadores, o negócio foi  se tornando obsoleto, acabando por fechar suas portas.

O  prédio, abrigava, há algum tempo atrás uma fruteira, mas quando o vi, pela última vez, guardava ainda um ar de boemia e podia-se ouvir discussões sobre política , futebol ou  alguém tomando  a cerveja mais gelada da Fronteira, dizer um poema de Fernando Pessoa  ou de Jaime Caetano Braum.

E se nos dirigíssemos  mais para dentro de nossa memória e de nosso coração, poderíamos ver os frequentadores sentados, em cadeiras ao redor das mesas, dentro do bar e na calçada.

Com muita sorte poderíamos ouvir sons vindo do passado trazendo trechos de Marx e Adams Schimit, citados por seu admiradores, ou talvez de algum canto alguma voz, solitária dizendo: "Es preciso endurecer-se, pero sin perder la sensibilidad, jámas..."

O Bar do Oswaldo era o que hoje se chama de um espaço cultural, só que foi o mais democrático e eclético que eu conheci.  Sem similar na história dos meus bares! Quanta saudade ao recordá-lo agora! (Fonte: Erner Antonio F. Machado - Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 28/08/2008)

2 comentários:

jorge marcos telles de oliveira disse...

Nilo, o Betinho da terceira foto de cima para baixo da Ass. Rosário jogou no Corinthians SP onde era reserva do Jacenir, foi titular num jogo contra o Inter no Beira Rio, nesse jogo o ponteiro colorado era o Alex Rossi de Cacequi, a Radio Guaiba até chamou a atenção para isso, um duelo Rosário X Cacequi.

Numa outra foto mais abaixo sem identificação de 1983 estão o cabeludo Neudo que saiu da Ass. Ros. para o São Paulo de Rio Grande e o Caio Flávio que foi ídolo na Ser São Gabriel.

Anônimo disse...

A ESCALAÇÃO DA PRIMEIRA FOTO DE 1991 :EM PÉ TIAQUINHA,CHARUTO, CHEROSO,CACAU, BUIÃO E JANUÁRIO. AGACHADOS CARRANCA, GIOVANE, SANTAIANA, PAULO CESAR E LEOZINHO